Buscar
  • Camilo Mota

A natureza da cura no Reiki



Camilo Mota


Todo organismo vivo está em constante relação com as forças de agregação e desagregação, de equilíbrio e de desequilíbrio, e em certos momentos o adoecimento se configura como o aspecto dominante. Na busca da cura ou do restabelecimento do processo de homeostase, de harmonia dos elementos viventes, o homem tem a seu favor uma série de caminhos que se complementam e que conduzem processos em favor da vida. Boa parte do conhecimento humano, principalmente a partir do alvorecer do racionalismo do século XVIII, se desenvolveu no sentido de fortalecer essa capacidade de interferir na natureza e agir sobre ela de maneira intencional a partir das observações empíricas, de onde nascem a medicina, a psicologia, a psicanálise, a química e tantas outras disciplinas. É desse fluxo que hoje temos acesso a pesquisas científicas de ponta que desenvolvem medicações cada vez mais eficazes para restabelecer o equilíbrio mental e fisiológico, bem como vacinas que fortalecem as defesas do organismo contra ameaças que a própria natureza dispõe no equilíbrio da vida.


Essa mesma natureza é também a fonte de emanações que estão na raiz dos caminhos que conduzem à harmonização, à cura. Dela o homem se serve num banquete quase infinito de possibilidades e de avanços, não só no campo da ciência e seus métodos, mas também em sua relação imaterial, imanente, espiritual. Nesse rumo, encontramos o sistema Reiki, desenvolvido por Mikao Usui nas primeiras décadas do século XX no Japão.


Masaki Nishima, em sua obra “Reiki and Japan”, assinala que o Reiki “é uma habilidade inata que qualquer pessoa pode usar, todos têm a chance de ser um terapeuta de Reiki para seus pais, filhos e amigos”. E completa: “Reiki flui através de todo corpo humano naturalmente sem que haja nada de especial a se fazer. Esta energia pode ser efetivamente usada para curar doenças”. Essas afirmações trazem à tona uma relação que gostaria de abordar nesse texto: a natureza e a espiritualidade, como elas estão envolvidas como um conjunto de possibilidades efetivas no uso do sistema Reiki.


Parto do princípio de que cada um de nós é uma emanação da natureza. Somos resultado de forças energéticas que estão em ação constante em todo o universo, e mais perceptivelmente ao nosso alcance no planeta Terra. Cada forma que habita este chão é repleta de força, de vida, de vibrações manifestas. Basta olhar o reino vegetal para se perceber a riqueza que ele representa no equilíbrio da vida, o quanto os animais dele se servem para manter-se vivos, ou restabelecerem a saúde. Os remédios naturais estão aí, à vista, e podem ser usados em sua função material (fitoterapia, aromaterapia) ou imaterial (florais). Assim como as plantas, os minerais e os animais em geral, os homens também são forças em desenvolvimento e participam desse grande baile de energia que flui sob o Sol. Se uma planta carrega em si elementos de cura, também os homens os têm a partir do desenvolvimento de suas potencialidades mentais e espirituais. É nesse ponto que o Reiki revela essa qualidade essencialmente humana: a intencionalidade de perceber, captar e emanar energia, tanto para si mesmo quanto para quem ou o que estiver ao seu redor.


Nesse sentido, a espiritualidade no sistema Reiki não está em relação a nenhuma força mítica, religiosa ou transcendente, mas diretamente situada no campo das ações que a própria natureza dispõe. O processo de Reiju (sintonização) criado por Usui restabelece os canais por onde essa energia flui, permitindo aos praticantes de Reiki acessar de maneira intencional esse fluxo de energia imanente, direcionando-a para as finalidades de harmonização que elas mesmas evocam. Esse processo ocorre de maneira natural porque está em relação direta com a própria natureza, e, por outro lado, é resultado de um desenvolvimento gradual da limpeza mental, da clareza de consciência e de unidade que se cria com o uso constante da meditação e dos símbolos utilizados para conectar num mesmo campo o mundo real e o virtual, o material e o espiritual, o Ki e o Rei, as duas polaridades de uma só realidade.


O Reiki é, portanto, um caminho de retorno à fonte de origem da vida, de onde tudo emana, da natureza essencial que conduz à vida, e isso leva as pessoas que se submetem a um tratamento terapêutico a sentir no corpo e na mente os efeitos desse encontro: relaxamento, tranquilidade, harmonia, paz interior, e também catarses e limpezas no corpo, na mente e em sua própria concepção de espiritualidade.


E para isso acontecer, não há nenhuma mediação, nenhum assujeitamento a forças externas ou hierárquicas. Cada pessoa é o próprio condutor do processo, na medida em que se permite levar pelo fluxo da energia de vida que flui dessa natureza que nos compõe. O papel de um mestre de Reiki é apenas o de conduzir o aluno até este limiar para que ele ultrapasse a porta que o conduz a esse acesso infinito de possibilidades e dali extraia o que lhe convém para a manutenção da vida, da saúde, da serenidade interior.


Camilo Mota é professor de Reiki desde 2005, terapeuta holístico, psicanalista, pós graduado em Psicologia Clínica e em Docência e Prática de Meditação.

58 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo