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LÁZARO E AS CAPTURAS DO ESPETÁCULO



Camilo Mota


Não deve ser em vão que em minha mente o nome Lázaro se refira àquele que retornou da morte. Mas agora, na TV, ele retorna como uma captura que não acontece, e para isso quem é capturado somos nós mesmos que nos entregamos a uma busca vã, acompanhando o cortejo da polícia, como um espetáculo programado mas sem fim, até que novo show se vislumbre e sejamos até mesmo sequestrados em outras acontecências.


A imagem do pescador de Nietzsche me assalta em meio a essa turbulência midiática. O filósofo lança sua isca, mas talvez não haja quem a perceba, ou porque a rejeitem em favor de fórmulas prontas, como um noticiário que se torna uma aventura de capa e espada, um folhetim a nos distrair. De quê? Das mortes mesmas que nos assombram. Uma perseguição simbólica ao que nos aterroriza.


E outras mortes e assassinos permanecem ocultos ou impunes. Marielle Franco? Apenas um sopro na memória, até que alguém a desperte de seu sono de dúvidas. E seremos novamente capturados. Mas antes disso, seria bom não nos esquecermos do quão responsáveis somos por agenciamentos que agregam mais morte do que vida em nossa sociedade e busquemos sentidos mais profundos em nosso cotidiano.

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