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Por que o Reiki é “espiritual”?



Camilo Mota


Chamamos de Reiki a um conjunto de aprendizados que foram sistematizados no Japão no início do século XX por Mikao Usui (1865-1926). É um sistema simples em sua prática e profundo em seus efeitos, compreendendo exercícios que envolvem meditação, harmonização mental através de determinados símbolos, imposição de mãos e o uso cotidiano tanto para tratamento de desarmonias do estado de saúde como no desenvolvimento de uma consciência que implica mudanças no modo de viver, de agir, de se manter num processo de atenção plena, experimentando a vida de maneira ativa, que poderíamos chamar de “iluminação”.


Quando falamos em “iluminação”, muitas vezes associamos esse conceito a algo distante, fora de nós, fazendo parte de um estado espiritual que exige sacrifícios para ser alcançado. É neste ponto que eu gostaria de reposicionar a abordagem dessa palavra, bem como no sentido do que seja “espiritual” na prática do Reiki. Em nosso modo de pensar ocidental, estamos muito influenciados pela concepção analítica do mundo (cartesiana, platônica, cristã), de modo que separamos tudo em compartimentos e extratos e os olhamos de maneira separada. Acabamos por separar tanto, que perdemos o sentido de unicidade que está envolvido em todas as coisas. Reiki, de certa forma, auxilia na retomada desse processo de consciência de uma totalidade que nos forma enquanto seres.


No ensino do Reiki, encontramos um ponto chave para esse entendimento na compreensão do que seja o corpo, a mente e o espírito. A prática dentro do sistema tem como um de seus principais objetivos fazer um alinhamento entre esses três aspectos de nossa natureza humana, entendendo o corpo como o organismo vivo propriamente dito, com todas as leis e sistemas que o configuram (sistema nervoso, endócrino, digestivo, respiratório, etc.); mente, como o conjunto de nossas percepções, pensamentos, intuições, mediações que fazemos com a realidade externa e interna; e espírito, que é aquilo que potencialmente configura a existência do corpo e da mente, bem como de toda a natureza. Portanto, nada existe que não contenha “espírito”. O Reiki, enquanto energia, é um atributo desse “espírito”, é a energia vital que está presente em todas as formas de vida e que lhe impulsiona a um estado de vitalidade e de harmonia.


Quando afirmamos que Reiki é um sistema de cura espiritual estamos indo muito além da limitação imposta à palavra “espírito” pelos sistemas religiosos. “Espiritual”, no sistema Reiki, se refere ao processo que constitui o fluxo de unicidade que conecta de maneira harmoniosa o corpo, a mente e o espírito do ser humano ao corpo, à mente e ao espírito de toda a natureza que nos constitui. É nesse sentido que compreendo a afirmação de Mikao Usui de que devemos “seguir o grande Reiki do Universo”, “que há um pequeno Reiki dentro de cada ser que é o reflexo do grande Reiki”, “que o Reiki está presente em tudo que constitui a vida e seus elementos”.


Esse sentido de unicidade permite que olhemos a natureza humana como uma grande diversidade de potências, de forças, que estão em constante mutação e em relação umas com as outras. O corpo tem atributos próprios, como o movimento, por exemplo. A mente tem a fluidez de não se render apenas aos aspectos físicos da vida, podendo criar mundos e realidades diversas, seja através da imaginação, da razão, ou do sonho. O espírito é o que une esses atributos, e ao mesmo tempo é o que está na natureza intrínseca deles, não de forma transcendente, mas imanente. O espírito está no corpo e na mente. A mente e o corpo são uma só expressão dessa natureza espiritual. Reiki, portanto, é um sistema que favorece esse funcionamento harmonioso entre essas três configurações do humano. Indo além: o humano é natureza, e, portanto, a concepção de corpo-mente-espírito também pode ser compreendida dentro do contexto de todas as coisas existentes: plantas, animais, minerais. Em essência, não há separação entre homem e natureza, entre realidade material e realidade espiritual.


O espiritual, no sistema Reiki, não é algo que deva ser buscado num mundo transcendente, em que se dependa de “espíritos” ou de forças sobrenaturais. Trata-se, justamente, de forças naturais. É um processo que nos conecta, nos sintoniza de forma cada vez mais plena ao espírito da vida, dessa mesma vida corre em nossas veias, em nossos pensamentos, em nosso sentimento oceânico de pertencimento a um Eu Maior. Esse Eu Maior é a própria natureza em que estamos inseridos.


Camilo Mota é mestre de Reiki, terapeuta holístico, psicanalista, pós graduado em Docência e Prática de Meditação e em Psicologia Clínica.

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